sábado, 30 de junho de 2012

UBDS da Vila Virgínia é motivo de insatisfação dos pacientes devido à demora no atendimento


Cris Paulino e Leonardo Ruiz


Foto: www.mogianaonline.com.br


Pacientes da UBDS da Vila Virgínia estão insatisfeitos com o atendimento devido à demora no pronto atendimento médico e agendamento de consultas. 
Pacientes ficam por mais de quatro horas esperando atendimento médico, em alguns casos, o paciente corre risco de vida ou de agravar uma doença, pois vai embora para casa e se automedica por não aguentar esperar o atendimento.
A revendedora Débora Gil, afirmou que teve que esperar quatro horas para ser atendida debaixo da chuva que invadiu o local onde ela estava esperando o atendimento em janeiro deste ano. Goteiras molhavam a sala de espera.  Neste dia, Débora chamou a imprensa para registrar o fato e apesar de terem filmado o local, a matéria não foi ao ar. A paciente também ressalta o mau atendimento dos funcionários da UBDS da Vila Virgínia com má educação e respostas grosseiras.
Denise Ressi chegou com labirintite na UBDS da Vila Virgínia e tinha 150 pessoas à sua frente para serem atendidas e apenas dois médicos. 
Maria dos Anjos é diarista e também se queixa do mau atendimento da Unidade, “é um caos”. Maria relatou que em novembro de 2011 foi para o pronto atendimento por volta das 13h tinha cerca de 250 pessoas e apenas 3 médicos no local para atender. “Havia pessoas esperando mais de 5 horas por um atendimento”. 

A demora no Agendamento de Consulta também é queixa dos Pacientes

A prefeitura de Ribeirão Preto disponibiliza um número de telefone, no qual a ligação é gratuita, para agendar consultas com clínico geral, ginecologista e pediatria. Quando os cidadãos ligam para agendar, geralmente não tem data disponível e quando os pacientes perguntam quando irá disponibilizar, os atendentes dizem que não tem previsão, que é necessário ligar todos os dias para saber. Muitas vezes quando os pacientes retornam, a data foi disponibilizada e preenchida rapidamente.
“O prazo para conseguir uma consulta varia entre dois e três meses”, diz a empregada doméstica Maria dos Anjos.
No dia da consulta, são marcadas várias pessoas em um mesmo horário, com isso na hora de esperar um atendimento, as pessoas ficam cerca de 2h30 para serem atendidas.
A ouvidoria do SUS (Sistema Único de Saúde) informou que não há uma lei que determina um prazo limitado para agendamentos e tempo de espera em consultas no pronto-atendimento.
Segundo a informação dos atendentes do 0800 a responsabilidade de agendamentos e atendimentos da UBDS da Vila Virgínia é da gerente Giovanna Teresinha Cândido, porém, ela afirma que a Secretaria da Saúde que coordena a distribuição dos agendamentos. “As vagas são abertas a cada três meses, e divididos em novos casos e retornos. Um médico atende por dia 12 casos, sendo que 4 deles são novos”.
A gerente afirma que é necessário contratar mais médicos, porém, a UBDS não tem estrutura para isso. “Seria necessário construir novas salas”, conclui Giovanna.
Em relação ao pronto atendimento, Giovanna explicou que a UPA, que foi inaugurada no início do mês de junho na avenida Treze de Maio irá desafogar a UBDS da Vila Virgínia.
O Secretário da Saúde Dr. Stênio Miranda, não concorda que a UBDS precisa de mais médicos, e diz que a população confunde posto de saúde com padaria: “Eles acham que quando chegam, é só pegar o pão e ir embora”.
O secretário afirmou que algumas especialidades podem demorar para agendar, mas que existem critérios de prioridades em casos de urgência. Quando foi questionado sobre os equipamentos da UBDS o Dr. Stênio afirmou que existem poucos equipamentos e eles são mal distribuídos.
O Dr. Stênio Miranda ainda explicou que a demora na UBDS da Vila Virgínia é devido à falta de distritais de saúde em outras regiões da cidade e sem previsão de data e que no Jardim Marchesi será construída uma distrital para melhorar o atendimento na Vila Virgínia. 

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Moto: mocinha e vilã do mesmo filme



Fausto Daniel e Gabriel Guilherme




Nas últimas décadas as motocicletas tem tomado conta das ruas das grandes e pequenas cidades do Brasil. O motivo é simples: elas conseguem transportar mercadorias, documentos, encomendas com mais eficiência que outros meios de transporte, em alguns casos.
Uma vantagem das motos sobre os veículos de quatro rodas é que elas consomem uma quantidade de combustível significativamente menor. Enquanto um carro de passeio consegue uma autonomia em torno de 14 km com um litro de gasolina, uma moto chega a rodar 40 km com a mesma quantidade.
As motocicletas também apresentam um formato estreito, que lhes permitem passar tranquilamente no corredor de um congestionamento com centenas de carros parados. As vantagens não param por aqui. As motos também economizam nas viagens intermunicipais ou estaduais quando a questão é pedágio já que não é cobrada a taxa na maioria das praças.
Por outro lado existe o elevado número de acidentes em que eles se envolvem. Por se tratar de um veículo que depende do equilíbrio do seu condutor, e ser bem mais vulnerável em termos de proteção para seus ocupantes que um veículo convencional, as motos elevam o número de vítimas fatais no transito. O balanço de 2010 aponta, segundo a CET (Companhia de Engenharia de Tráfego), que a cidade de São Paulo registrou 478 mortes naquele ano. Os números da CET também indicam que houve um aumento de 46% nas ocorrências envolvendo motos de 2005 a 2010.

Na prática:

O entregador André Milan, presta serviços para duas lojas de autopeças e uma loja de produtos agropecuários durante o dia e, durante a noite, faz entregas para uma pizzaria. São 450 km redados por semana, em média. Há três anos nessa rotina, André aponta os caminhos para não se envolver em acidentes: “Nunca bati... nunca! Basta obedecer ao limite de velocidade e ser atento ao que os outros motoristas fazem para evitar acidentes. Nem sempre funciona, pode ser que um dia aconteça, mas ajuda bem”. André percorre tanto perímetro urbano quanto rural sobre sua moto de 150 cilindradas (modelo mais usado para esse tipo de trabalho). Ele aponta o volume das cargas, no caso das auto das autopeças, como o fator que mais impõe risco a quem exerce a profissão.




João Paulo chagas (46) trabalha no ramo há seis anos, e ao contrário de André conta que já sofreu acidente enquanto trabalhava. “Machuquei superficialmente e trinquei a costela. Estava em baixa velocidade”.
João Paulo é entregador de gás, um dos poucos registrados e que recebem insalubridade pelo trabalho exercido.
Um estudo realizado pela faculdade de medicina da USP diz que 45% dos casos de fratura de clavícula são causados por acidentes onde a vítima usava a moto como meio de transporte. O tempo médio de recuperação desses pacientes é de dois meses. 
Nesse período a vítima fica sem trabalhar, o que pode significar um enorme problema financeiro caso não haja os benefícios do trabalho formal, como afastamento remunerado.
Afinal de contas, como qualquer outro meio de transporte, tem suas vantagens e desvantagens sobre os outros. Obedecendo ao que pede o CTB (Código de Transito Brasileiro) já é possível reduzir significativamente as possibilidades de se acidentar.

Pessoas no semáforo: você ajuda?

Thiago Forato, José Carlos Caffer Neto e Luan Dimas


Nossa reportagem esteve por três dias em diferentes semáforos da cidade de Ribeirão Preto observando aqueles que lá estão para conseguir dinheiro. É um meio de sobrevivência. Senhor Batista, de 73 anos, que o diga.
Há 50 anos em Ribeirão, Batista é um verdadeiro nômade dos semáforos. Apenas pede e não tem vergonha disso. Trabalhou na roça por 30 anos, natural de Divinópolis, interior de Minas Gerais, tem apenas um irmão com o qual não mantém contato. Com roupas rasgadas, semblante triste, barba por fazer e um boné de marca que ganhou do proprietário de uma Ferrari, na Avenida 9 de Julho, ele ganha nas ruas, em média, R$ 30 por semana. “Com esse valor eu consigo sobreviver, e tem sempre alguém que me ajuda. Passo nos restaurantes e quase sempre me recebem muito bem, graças a Deus”, disse. O boné, lembra ele, foi dado quando o dono tinha acabado de comprar, mas no meio do caminho, não gostou. “Ele pegou e me deu, dizendo para fazer dinheiro com isso. Mas acabei gostando e está na minha cabeça até hoje”.
Perguntado sobre o que espera da vida daqui para frente, vem uma resposta que choca: “Espero apenas a morte”, disse Batista, sem qualquer tipo de perspectiva futura.
Já Laurenci tem 49 anos, natural de Brejo dos Santos, no Paraná, é aposentado por conta dos medicamentos que toma – diariamente, ele precisa tomar Gardenal – um anti-convulsivo. Laurenci tem 18 cachorros e vai levando a vida com um sorriso no rosto, nunca morou sob um teto. Atualmente, possui um barracão ao lado do Parque Curupira. Está há 19 anos em Ribeirão e não se preocupa muito com o futuro. “Vou vivendo a vida, ganho R$ 120 por semana, dá pra viver, e minha vida são esses cachorros. Como posso ficar triste? Claro que espero coisa melhor, como um trabalho, tenho que ser otimista”.

O malabarista Pedro Aguiar está diariamente na Avenida 9 de Julho, no período noturno. Feliz pela coordenação motora que possui, lembra  de uma frase bastante clichê: “Poderia estar matando, me prostituindo, roubando, mas estou aqui fazendo meu show, meu espetáculo. As pessoas gostam. Teve uma vez que uns adolescentes bêbados, 2 da manhã, pararam e me deram R$ 300 em notas de 100, ganhei meu mês inteiro em fração de segundos”, diverte-se.

Esmola ajuda?

É o que muitos questionam, mas todos os personagens desta matéria creem que sem ela, não iriam sobreviver. Pedro, contudo, alerta que não pede esmola já que pratica seu show e o “público” dá se quiser.
Valéria Valente, publicitária, acredita que é preciso analisar cada caso. “Não gosto de dar, mas como cada caso é um caso, acabo ajudando algumas vezes. Existem casos de extrema necessidade”, conclui.
A mineira de Belo Horizonte, Izabella Souza, não dá esmolas e pensa que dar dinheiro, em nada ajuda. “Quase sempre são uns cachaceiros ou drogados, quem tem vergonha na cara vai trabalhar. A esmola é o cúmulo da depreciação do ser humano. É degradante tanto dar quanto receber”, reclama.
Enquanto nossa equipe esteve presente, observando pedintes e contribuintes, poucos, de fato, foram capazes de abaixarem seus vidros. Há uma espécie de barreira, não só física, como econômica e preconceituosa. Em um dos casos, vimos um motorista chamar um mendigo de “Monkey cachaceiro” e o mandando fazer alguma coisa da vida, a palavra inglesa ganha um peso pejorativo e preconceituoso.  
Todas essas pessoas com que estivemos sofrem diariamente algum tipo de preconceito e são tratados, por vezes, com indiferença pela sociedade. Falta oportunidade, e o tripé básico para que um país seja soberano: saúde, segurança e educação. O Brasil, um país emergente, tem uma economia de dar inveja ao resto do mundo. Porém, com toda essa desigualdade e renda mal distribuída, nunca chegaremos a um denominador comum. Caminhamos a passos de tartaruga e evoluímos pouco, perto do que poderíamos evoluir.
Quem muda isso? Nós mesmos. Se cada um acredita ou não, é uma outra discussão, na crença no próprio ser humano.

A Brincadeira Sem Graça


Andressa Araújo





Atualmente muito se fala no bullying, mais o que algumas pessoas não sabem, é que esse não é um problema de agora.
Estudos comprovam que em meados da década de 1980 já ocorriam casos do tipo, a diferença é que a maioria dos casos se mantinha isolados, sem o  devido conhecimento sobre o assunto , destaca o psicólogo Ricardo Picoli.
De alguns anos pra cá, a situação vem ganhando novos rumos, após a divulgação  de casos perversos como os assassinatos em Realengo no Rio de Janeiro em abril de 2011, como cita o advogado  Luis Camargo.
“Mais do que informações sensacionalistas em busca de uma audiência invejável, é preciso ficar atento aos primeiros sinais de uma criança que esteja  sofrendo essa agressão psicológica, física ou ambos” afirma.
Para Camargo ,muitos fatores dificultam a identificação dos casos , já que os traços de personalidade aflorados na adolescência como a impaciência repentina e dificuldade de concentração mas podem estar mascarando problemas mais graves, é preciso estar atento a essas diferenças, diz Ricardo Picoli.
Ainda de acordo com Picoli é importante que a família não julgue o acontecido, mais sim dê apoio, já que a vítima está sensibilizada,ouvir o que a pessoa tem a dizer faz toda a diferença.
 Para a aluna Ana Moura falta empenho e bom senso dos professores e coordenadores na identificação dos casos, em busca de uma convivência saudável entre os alunos, para que possam desenvolver com excelência as atividades acadêmicas e o pleno desenvolvimento psicossocial, destaca.
 Ana ainda afirma, que o  alvo predileto dos agressores são pessoas estudiosas, calmas e aparentemente inofensivas.
Camargo enfatiza que no caso dos meninos a maior incidência se dá entre garotos baixos e magrinhos. Já com as meninas o cunho é mais emocional como divulgação de fotos montagens, fofocas e isolamento dos grupos de trabalho. A internet se torna grande aliada, com o rackeamento de contas de e-mail, redes sociais e Msn, causando transtornos.
Luiz Camargo observa, que os tidos como diferentes também são visados como os negros, judeus, gordos, aqueles que usam óculos e aparelhos nos dentes, tem alguma necessidade especial como cadeirantes, cegos, disléxicos e também aqueles com transtorno psiquiátrico, são iscas fáceis para serem algo de gozações, finaliza.
Ana, que sofreu bullying durante toda infância relata que a vítima se sente fragilizada e sem saída, como se fosse culpada  e portanto merece todo esse sofrimento.
No entanto, já no século XXI, a situação vem se  mostrando bem menos sombria. “Hoje, o contexto vem ganhando novas formas, a dificuldade ainda existe, mas como o assunto vem sendo discutido entre diversos tipos de profissionais, seja na televisão, internet, jornais, as pessoas conscientemente estão ficando mais preparadas para lidar com  o bullying   e suas consequências nas esferas tanto social como jurídica”, afirma Camargo. 
O advogado explica que de acordo com a constituição, a vítima lesada quando não há acordo amigável com a instituição de ensino pode entrar com processo judicial contra a escola e o agressor(es) por danos morais, calúnia e difamação além do pagamento do tratamento se necessário.
No caso dos menores de idade, os pais são os únicos responsáveis pelo pagamento e mesmo se estes forem separados, no caso de falta de respaldo financeiro da mãe, cabe ao pai se responsabilizar pelos trâmites do processo e seus resultados.
O fato existe para ser explorado, é de extrema importância que as pessoas denunciem e não se deixem levar pela apatia ou ignorância sobre o bullying, mas também é preciso diferenciar uma simples brincadeira isolada e sem segundas intenções de atitudes repetitivas e sem motivo aparente  
Para finalizar, o picólogo Ricardo Picoli relata que nem todas as pessoas que sofreram este tipo de problema necessitam de acompanhamento psicológico,  “só em casos mais extremos como  apatia extrema e perda da vontade de estudar por exemplo”.